Perda de espessura e altura
O osso reabsorveu nas duas direções depois da extração, e o volume que sobrou não comporta o implante na posição correta.
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Especialidade
Disseram que você não tem osso suficiente para implante. Na maior parte dos casos, isso não significa que não há solução. Significa que falta uma etapa antes.
Por que o osso some
Quando um dente é perdido, o processo alveolar deixa de existir e o osso daquela região começa a se remodelar e a reabsorver. Ao longo dos anos, o volume diminui tanto em altura quanto em largura.
É por isso que quem perdeu um dente há dez anos costuma ouvir que não dá para implantar: o osso que sustentaria o implante foi embora junto com a função que ele exercia. O enxerto reconstrói esse volume para que o implante volte a ser possível.
Um pouco de história
No início do tratamento com implantes, só se tratava paciente totalmente sem dentes, com prótese do tipo protocolo. Os implantes eram instalados apenas onde já havia volume ósseo adequado, e o osso disponível ditava o resultado.
No fim dos anos 1980 o tratamento passou a alcançar também o paciente parcialmente sem dentes. O planejamento deixou de partir do osso e passou a partir de onde a prótese precisa ficar. Em muitas situações a quantidade de osso disponível não era favorável a essa posição, e o enxerto ósseo se tornou cada vez mais frequente.
A mudança é importante porque inverteu a lógica: não se coloca o implante onde é fácil, se constrói a condição onde ele precisa estar.
Biomateriais
Um biomaterial é uma substância, ou associação de substâncias, farmacologicamente inerte, de origem natural ou sintética, usada para substituir, aumentar ou melhorar tecidos e órgãos.
Osso do próprio paciente. Mantém a viabilidade celular e a capacidade osteogênica, e contém proteínas ósseas morfogenéticas, as BMP, capazes de induzir células osteogênicas nos tecidos vizinhos, além de outros fatores de crescimento essenciais à incorporação.
A contrapartida é que o osso precisa ser colhido de outro sítio, o que aumenta a morbidade. Dentro da boca: tuberosidade, pilar maxilo-zigomático, zigoma, sínfise mandibular, ramo e corpo mandibulares. Fora dela: cristas ilíacas, platô tibial, costela e calvária.
Vem de indivíduos da mesma espécie, geneticamente diferentes. A vantagem é eliminar a necessidade de área doadora, e a disponibilidade praticamente ilimitada permite usar em grande quantidade quando o caso exige. Exemplo: DFDB, osso congelado seco desmineralizado.
Vem de espécies diferentes, fabricado a partir da porção inorgânica do osso animal. Funciona como bom banco de material desde que completamente desproteinado e colocado sobre osso esponjoso, ou usado junto com medula óssea vermelha autógena. Também serve para aumentar tecido mole. Exemplo: Bio-Oss.
De origem sintética, sem doador humano nem animal. Exemplo: Alobone.
Definição de biomaterial conforme Williams, 1987.
A decisão
O enxerto autógeno tem as vantagens mais completas, e é consenso na literatura que também tem a maior desvantagem: a morbidade, porque exige uma segunda área cirúrgica no próprio paciente. Alógenos, xenógenos e aloplásticos evitam esse custo.
A necessidade de enxertia é uma variável relevante no resultado da osseointegração. Por isso a escolha do biomaterial não se resolve por preferência nem por protocolo fixo: cada caso é avaliado individualmente, com tomografia e leitura do que aquela pessoa em particular precisa.
Quando é preciso
O osso reabsorveu nas duas direções depois da extração, e o volume que sobrou não comporta o implante na posição correta.
O seio maxilar avançou sobre o espaço deixado pelo dente na arcada superior, reduzindo a altura óssea disponível.
Quando o implante é instalado no mesmo dia da extração, o enxerto preenche o espaço entre o implante e as paredes do alvéolo.
Segunda opinião
Muita gente sai de um consultório com a informação de que não tem osso e entende que perdeu a chance de ter dente fixo. Na maior parte das vezes o que faltou foi uma etapa, não uma possibilidade.
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