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Reabilitação

Perdi todos os dentes. E agora?

O Protocolo de Bränemark devolve a arcada inteira quando não há osso para instalar um implante por dente perdido.

Dra. Mariana Wolf Figueiredo · CRO-RJ 34766 Atualizado em agosto de 2026 5 min de leitura

Quem pesquisa sobre implante dentário cedo ou tarde esbarra no termo Protocolo de Bränemark. É o tratamento que promove a reabilitação oral completa de quem perdeu todos os dentes de uma arcada e convive com reabsorção óssea.

A reabsorção é um processo fisiológico do organismo. Ela começa depois da perda do dente, e em casos de doença periodontal pode começar antes mesmo da extração. O osso que sustentava a raiz deixa de ter função e vai desaparecendo.

Quando a perda óssea é extensa, nem sempre é possível instalar um implante para cada dente perdido. É exatamente aí que o protocolo entra.

No protocolo são instalados quatro, cinco ou seis implantes, que servem de sustentação para uma prótese fixa com cerca de doze coroas unidas. Essas coroas se apoiam sobre uma barra metálica, que garante estabilidade na fixação sobre os implantes.

Foto: Protocolo de BränemarkImplantes na arcada e prótese fixa · img/blog-branemark.webp

Como a técnica funciona

São duas etapas: uma cirúrgica e outra protética. Em parte dos casos é necessário um intervalo de quatro a seis meses entre elas. Com os avanços da implantodontia, porém, muitos tratamentos permitem que esse intervalo seja de apenas 72 horas, no que se chama carga imediata.

O que determina o intervalo é a estabilidade do implante alcançada na fase cirúrgica, medida por instrumentos específicos durante a cirurgia. Os exames de imagem permitem prever isso com certa assertividade, mas a exatidão só se confirma no momento da instalação.

É por isso que nenhum prazo sério é prometido antes da cirurgia. Quem garante carga imediata sem ter aberto o campo está prometendo o que ainda não sabe.

O que muda na prática

Na mandíbula, a parte inferior da boca, o protocolo oferece estabilidade incomparavelmente maior que a da prótese removível. Isso significa mastigação e fala com mais qualidade, sem o receio constante de que a peça se mova.

Na maxila, a parte superior, além da estabilidade há uma vantagem que costuma surpreender: o protocolo não cobre o céu da boca, como fazem as dentaduras. O paladar volta, e com ele o conforto de comer sem sentir uma placa sobre o palato.

  • Prótese fixa: não sai da boca para dormir nem para comer
  • Sem cobertura do palato na arcada superior
  • Reposição também da gengiva perdida na reabsorção, com resinas acrílicas de aparência muito similar à natural

Antes de qualquer plano

O protocolo não é indicado para todo mundo que perdeu os dentes, e não é a única saída. Quanto osso restou, onde ele está e como a mordida se comporta são as perguntas que decidem entre protocolo, implantes individuais ou reabilitação com enxerto prévio.

Essa leitura depende de tomografia e de exame presencial. Nenhum plano de reabilitação completa deveria ser fechado por foto ou por telefone.

Referência: Bränemark PI et al. Osseointegrated implants in the treatment of the edentulous jaw, PubMed.

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